segunda-feira, julho 19, 2004

O que eu queria

Eu queria escrever sobre Gay Talese. Sobre como ler Fama & Anonimato me fez voltar a ter fé no jornalismo. Dizer que Frank Sinatra Está Resfriado é mesmo o mais brilhante perfil já escrito, mas lembrar ainda que O Perdedor e Sr. Má Notícia também são brilhantes. Ah, e que toda a segunda parte do livro sobre a construção da ponte Verrazano-Narrows é fenomenal.

Eu queria escrever também sobre O Grande Gatsby, de F. Scott Fizgerald. Comentar que esse é o grande romance americano, falar que aquele final é inesquecível. Depois fazer uma longa análise sobre como o livro representa o sonho americano encontrando a realidade e sendo despedaçado por ela e isso me levaria a comentar outro livro, Pastoral Americana, de Phillip Roth.

Queria fazer um rápido comentário sobre como adoro aqueles longos parágrafos do Saramago e seus diálogos entre vírgulas, mas ressaltar que realmente é um pouco complicado pra quem o lê pela primeira vez. E fazer outro rápido comentário sobre Budapeste, do Chico. Dizer que é um bom livro, mas que fizeram muito hype. Chico compositor ainda é muito superior ao romancista.

Queria elogiar muito Oldboy, filme sulcoreano dirigo por Chan-wook Park. Dizer mesmo que é maravilhoso, que é cruel, que é violento e que tem que passar nos cinemas do Brasil, antes que os EUA façam um remake. Enquanto não vem, diria para baixarem no eMule. E terminar com: “esse filme é sobre vinganças, dentes arrancados, polvos comidos vivos, línguas cortadas e relações amorosas não-convencionais”.

Por fim escreveria que sou um homem feliz porque agora tenho cinco discos do Radiohead (dois comprados legalmente, o resto graças aos p2p da vida). Dizer que existe muita diferença entre eles, mas que todos são indiscutivelmente Radiohead. Todos têm sua assinatura. Você bota o disco para tocar e em cinco segundos fala: "isso é Radiohead". E é! Só poderia ser Radiohead.

Sobre política eu não queria escrever nada. No momento estou aborrecido com isso. Política tem me causado enfado, cansaço, irritação. Política no Brasil anda muito chata.

Era sobre isso que eu queria escrever. Só não escrevo porque daria um post muito extenso.

sábado, julho 17, 2004

Calvin Calvin Calvin

Who am I?

Sem nada pa postar, resolvi fazer um desses testes de personalidade.... Taí o resultado. Vão lá fazer também.


INTP - "Architect". Greatest precision in thought and language. Can readily discern contradictions and inconsistencies. The world exists primarily to be understood. 3.3% of total population.
Take Free Myers-Briggs Personality Test


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Nossa... Como o Blogger tá legal! Gostei das mudanças!

sexta-feira, julho 09, 2004

...

Porque hoje estou reticente.

Gay Talese

"É assim que são as coisas em Nova York (...). É assim numa cidade grande, impessoal compartimentada - onde a página 29 do jornal desta manhã traz fotografias dos mortos; a página 31 estampa fotos de pessoas que noivaram; a primeira págna traz fotos dos que governam o mundo, desfrutando seus dias de glória, enquanto não vão parar na página 29."

quarta-feira, junho 30, 2004

Você sabe...

Você sabe que seu país está vivendo em uma pasmaceira política quando percebe que está mais interessado nas eleições de outro país.

Sério, muito mais divertido ver a disputa Bush x Kerry (com a excelente participação de Michael Moore) do que a palhaçada do salário mínimo no Senado, a disputa Cesar Maia x Marcelo Crivella x Conde, os governadores-diminutivos no RJ e as peladas e trapalhadas do Governo Lula.

A cena política brasileira tá precisando urgentemente de um pouco de gás. Atualmente tá dando sono ler a editoria de política dos jornais...

quarta-feira, junho 23, 2004

O artigo do Élio

Artigo do Élio

Excelente o artigo de hoje do Elio Gaspari.
Até o título é bom: "Com Brizola, acaba-se o século XX"

terça-feira, junho 22, 2004

A Novidade

Eu adoro o modo como tudo se repete. Adoro como tudo é cíclico. Como as pessoas teimam em parecer com seus pais, os avós etc.

Eu acho lindo ver as pessoas criticando os games. Dizendo que são violentos, que fazem mal ao jovem, até que são coisas do demônio. E acho ainda mais lindo saber que já disseram o mesmo da tevê, das hqs, do cinema e da literatura.

É uma beleza ver as pessoas dizendo o quanto a internet é desagregadora, isola as pessoas do convívio social, faz mal a mente entre outras cositas. Ainda mais quando a gente sabe que já falaram o mesmo do telefone, do cinema e até da escrita (afinal, antes as pessoas se reuniam pra conversar, tendo a escrita, pra que se reunir?), não é?

Sinto tanto orgulho quando falam que o Rap e a música eletrônica são malvados. Porque são más influências para os jovens, os transformam em drogados, os levam para criminalidade, destroem famílias, os fazem se embebedar e praticar sexo promíscuo. Exatamente as mesmas palavras que já usaram contra o rock, o jazz, o samba e qualquer outro ritmo popular que você imaginar.

É belo ver como as pessoas temem o vindouro. Como elas procuram se proteger contra tudo que é diferente. Tudo q eu foge ao que elas já conhecem.

E é ainda mais belo ver que não adianta nada toda essa resistência. O futuro sempre chega. As pessoas passam, morrem, mas o novo sempre vem. Por mais que lutem contra, ele sempre vem.

Então você tem duas opções: pode perder o trem da história e se tornar um ser anacrônico que começa toda frase com “no meu tempo” ou embarcar de cabeça no vindouro. Mas não passivamente, ativamente! Tentando construir um futuro melhor, mas sem teme-lo.

Agora...

Resistir é inútil.

"A frente do seu tempo"

Não acredito nessa história de "fulano é um homem a frente do seu tempo".

Ninguém está a frente do seu tempo. Todo mundo é fruto do tempo em que vive.

O que muda é que alguns interpretam a época em que vivem de uma forma diferente da maioria das pessoas.

domingo, junho 20, 2004

Eu odeio Chico Buarque

Ontem o Chico Buarque completou 60 anos e eu o odeio.

Eu odeio Chico Buarque porque ele é tudo que eu não sou e nunca poderei ser. E ainda faz questão de jogar isso na minha cara todo dia.

Odeio porque ele diz tudo que eu queria dizer, mas nunca conseguiria dizer da forma que ele diz. Aliás, ele diz tudo o que todo mundo queria dizer. Diz até o que a gente nem sabia que no fundo queria dizer.

Odeio porque ele entende as mulheres como ninguém. E elas o adoram como ninguém.

Odeio porque sendo filho de um gênio, ele poderia muito bem se tornar um conformado, um medíocre e passar o resto da vida vivendo sob a sombra do pai. Mas, não, ele acabou se tornando outro gênio. Independente do pai.

Odeio porque ele parece saber a letra secreta de toda música. Odeio porque ele sabe como ninguém usar as palavras. Ele sabe o peso, o som e o valor de todas. De todas.

Odeio porque ele é o maior compositor do Brasil. E não sossega em ser apenas isso. Faz peça, filme, escreve livros, joga futebol.

Odeio o Chico Buarque porque ele é tão genial que eu não consigo pensar em uma homenagem a sua altura.

terça-feira, junho 15, 2004

Parabéns!

Porque hoje é meu aniversário!

sábado, junho 12, 2004

3 histórias pro dia dos namorados

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.

Como isso não é um poema do Drummond, todos terminaram (miraculosamente) felizes para sempre.

E nenhum J. Pinto Fernandes precisou entrar na história.

*****

Na primeira vez que ele viu a menina ruiva seu coração palpitou e suas pernas bambearam. Ela estava entrando no colégio perto de sua casa. Ele ficou apenas olhando, paralisado. Ela nem reparou.

Na segunda vez que ele viu a menina ruiva sua boca secou e suas mãos suavam frio. Ela estava sentada ao seu lado no ônibus. Ele tinha tanto para dizer, mas ela desceu no ponto seguinte.

Na terceira vez que ele viu a menina ruiva sua mão estava firme e seus olhos fixos. Ela saía da escola. Ele ia dizer tudo, falar do seu amor, dos planos para o futuro, mas a chuva começou a cair e todos – inclusive ela – saíram correndo.

Na quarta vez que ele viu a menina ruiva seus olhos se encheram d’água e seu coração se despedaçou. Ela beijava outro rapaz. Ele ficou apenas olhando, paralisado. Ela nem reparou.

Ele ainda viu a menina ruiva dezenas de vezes, mas não era mais aquela menina ruiva. As coisas mudaram.

*****

Então, com a voz embargada e tendo o mais belo pôr-do-sol do ano como pano de fundo, ele disse:
- Te amo mais do que bis sabor laranja.