sábado, março 31, 2007
Metapostagem
Obviamente eu ainda não fiz NADA da minha lista. Ok, fiz uma coisa. Justamente a que me parecia mais impossível. Mas isso não dependeu de mim, foi obra do destino... Mas voltando ao assunto... Não cumpri minhas metas por que é isso que faço, é isso que nós fazemos (confessem, vocês também fazem isso). Já fiz isso várias vezes com esse blog: "agora vou escrever com frequência" e depois de dois posts largava mão. Mas isso vai mudar... E para isso conto com a ajuda de vocês, meus dois leitores.
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A partir de hoje, 31 de março, esse blog vai ter pelo menos UM post novo por dia. Sim, todo dia vai ter post. Nem que seja post estilo diarinho ("hoje foi chato porque choveu demais") ou aquele tipo que comenta notícia de jornal ("gente, vocês tão vendo a crise da aviação brasileira?!") ou ainda os malditos posts comentando sitezinhos ("Vejam só que jogo maneiro nesse link aqui").
Sim, preparem-se! Ah, sim.. caso eu não poste algum dia, peço encarecidamente que entrem nos comentários e me xinguem. Por favor.
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Aproveito pra contar que o blog terá meio que duas seções "fixas". São duas séries de posts que serão publicadas pelo menos uma vez por semana enquanto eu tiver idéias pra elas. Elas são:
"Culpados", uma série de posts sobre pessoas que de certa forma são responsáveis pelo que eu sou hoje. Serão artistas, amigos (sim, preparem-se pra serem ridicularizados aqui!) etc.
E a outra tem o nome provisório de "Auto-retratos fictícios", mas ainda não sei. Vou ver se penso num nome mais pretensioso (*insira o sinal de ironia aqui*). É basicamente minha chance de ficar criando personagens que têm opiniões diferentes da minha e não ter que pensar numa história pra encaixar isso.
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Ah sim, claro que os posts "normais" continuam.
Por favor, conto com seus xingamentos.
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Esse foi um anúncio Do Fundo.
domingo, janeiro 14, 2007
Besteira
Silvia sorriu. Será que somente Sandro saberia solucionar seus senões?
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"Agora basta", Cecília disse.
Então, Fagundes gelou. Havia, infelizmente, já ladrado muitos nãos. "Oras, por quê?", replicou soluçando. Tentou uma vez. Xi... Zerou.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Sem surpresas
Pensou durante um bom tempo que imagem seria. Dragões, tribais, ideogramas, palavras em sânscrito ou hebraico não combinavam com ele. O rapaz tinha alguns interesses específicos, em particular cultura pop. Pensou em quadrinhos. Tatuar o símbolo da jaqueta de Jack Knight? Muito colorido. Talvez o "rosto" do Rorschach? Too creepy. Quem sabe Calvin e Haroldo num trenó? Muito infantil. Foi pra outro interesse: Cinema. Tatuar personagens, cenas de filmes? Muito complicado. Música? Nomes de bandas, logos. Idéia interessante, mas seu gosto por música mudava toda semana. Hoje adorava British Sea Power, mês que vem era muito mais Regina Spektor.
Sobrou uma última grande paixão: os livros. Na parte interna do braço esquerdo tatuou em letras grandes "Lo. Li. Ta." e embaixo, em letras menores colocou: "My sin. My soul." Gostou. Um tempo depois voltou e botou a primeira frase de Cem Anos de Solidão no braço direito. Ficou viciado.
Com o passar dos anos, tatuou de tudo. Um trecho de O Grande Gatsby, o final de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Não parou mais. O início de Mrs. Dalloway. A descrição que Cervantes fez do "cavaleiro da triste figura" em Dom Quixote de La Mancha. Num momento de tristeza tatuou no lado esquerdo do peito a inscrição que segundo A Divina Comédia se encontrava nos portões do Inferno. No pulso direito colocou um 42. Com o passar dos anos todos estavam lá. Pynchon, Pamuk, Shakespeare, Vargas Llosa, Flaubert, Veríssimo, Machado, Woolf, Proust, Dante, Moore, Gaiman, Fonseca. Seu corpo era uma lembrança de suas leituras. Era uma lembrança de sua vida.
Aos 50 anos, todo seu corpo estava tomado por palavras. Apenas seu rosto era uma página em branco. Aos 68 foi diagnosticado com uma doença muito grave. Resolveu que era a hora de encerrar seu "livro". Foi até um tatuador. Duas semanas morreu. Tinha estampada em sua testa sua mais recente e última tatuagem:
"Fim."
domingo, janeiro 07, 2007
É assim que funciona
Até que não.
Você ama
Até que não.
Você tenta
Até não poder.
Você sorri
Até chorar.
Você chora
Até sorrir.
E todo mundo tem que respirar
Até seu último suspiro.
É assim que funciona.
Cortesia da Regina Spektor
Rito e Método
Por isso eu vivo me explicando. Adoro me explicar. Passo horas e horas dando explicações. Acabo explicando pequenos trechos das explicações mesmo a pessoa não pedindo. Sou detestável. Mas faço isso porque preciso do desfecho. Preciso do "sim" ou do "não". Preciso da certeza que a pessoa entendeu tudo o que eu quis falar e eu preciso da certeza de que sim, ela entendeu. E que sim está tudo bem. Isso faz com que eu pareça um grande inseguro. O que eu não sou. Tudo bem, um pouco.
Ok, o que isso tem a ver com ritualismo?! Bem, pra mim o "então está tudo bem mesmo, né?! Você me entendeu?!" É um ritual. É um ritual de encerramento. Essa é a vantagem. No momento em que o último "tudo bem" foi dito, tudo se encerra. Eu não guardo mágoa, rancor, não guardo nada. Tudo se encerra no fim do ritual. No outro dia estou novo. Esse é meu método.
Isso me faz pensar no quanto eu acho que os ritos de passagem fazem falta para a humanidade. Fazem falta ao menos pra mim. Eles são símbolos que uma parte de sua vida se encerrou e outra está começando. Sem eles tudo fica meio nebuloso. Eu as vezes acho que a razão de até hoje me achar mais um menino do que um homem foi porque ninguém me deu apenas uma lança, me jogou sozinho na floresta e disse "se você sobreviver por cinco dias, é um adulto". Qual é o evento da vida moderna que nos diz claramente que somos homens? Nenhum. Por isso hoje somos meninos de mais de 20 anos jogando video-game e morando com a mãe.
Talvez aí esteja a explicação para o amadurecimento precoce das mulheres. Elas ainda têm um ritual: o baile de debutante. É um rito meio vazio e sem significado, mas é alguma coisa. Ainda é um "estou sendo apresentada a sociedade. Sou uma mulher".
Eu gosto de ritos, gosto de rituais, gosto do aspecto simbólico deles. Festas de casamento, despedidas de solteiro, velório, réveillon, missa de sétimo dia para os católicos. Todos esses pequenos momentos da vida em que esquecemos o dia a dia e nos dedicamos a simbolicamente celebrar ou sofrer para encerrar uma fase e iniciar outra.
sábado, janeiro 06, 2007
Tipos de gente - 2
- Sempre sabe sobre tudo que você vai falar!
Ahn... Err.. É, ela é muito chata porque no meio da sua frase...
- Ela te interrompe e não só termina o que você ia falar como adiciona informações para mostrar como ela entende sobre aquele assunto.
É, ela faz isso. Pra esse tipo de gente não basta ter conhecimento. Ela precisa que você saiba disso. Aliás, mais! Ela precisa que você perceba que ela sabe muito mais sobre isso do que você. Se você mencionar que gosta das pinturas de Picasso...
- Ela vai logo dizendo que Picasso foi mesmo um grande pintor. Aí vai acrescentar com informações como "mas eu pessoalmente tenho muito apreço pela fase azul. Que por sinal, começou após a morte de um amigo dele..."
É... Tem coisa mais irritante?! Eu sei que você sabe tudo sobre Picasso. Não precisa me falar. Se estivéssemos conversando sobre Picasso, tudo bem. Mas, não! Eu apenas disse que gosto das pinturas dele!
- Pessoas muito chatas!
Ô! Ahh.. Sim, esse "tipo de gente" foi sugerido pelo Ygor.
- Ygor Helbourn... formado em jornalismo e publicidade. Toca bateria em algumas bandas, como Regra Zero e Gioconda. Sabia que ele também tem um blog? É... O nome é Pitacando.
Ahn... Acho que deu pra vocês entenderem.
segunda-feira, janeiro 01, 2007
Ano Novo
Como todas as tribos daquela região, os homens caçavam e pescavam e as mulheres cozinhavam, cuidavam das crianças, das casas e de quase tudo mais. Para chamar atenção do sexo oposto, os homens faziam marcas no corpo com lâminas e as mulheres usavam adereços nas orelhas e supercílios. Como todas as tribos, guerreavam, matavam os membros das tribos rivais. Os vencedores levavam tudo. Terra, mulheres, animais e até as batatas.
Como todas as tribos, passavam seus conhecimentos, tradições e rituais para os jovens através de histórias.
Perto do fim do ano, as avós contavam para as meninas mais jovens da família a história de como os anos surgiram. Elas, diziam que muitos e muitos séculos atrás, numa época em que os seres humanos tinham dois sexos, quatro braços e pernas e não sabiam o que era a perda nem o amor, os anos não existiam. Nessa época os animais eram amigos dos homens e existiam vários deuses e monstros. Inclusive um que devorava mundos.
O tempo apenas seguia adiante. Tinha verão, outono, inverno, primavera e várias outras estações que não existem mais. O que não se sabia é que quanto mais os dias passavam, mais perto o mundo ficava da boca do devorador de mundos. Os homens e os animais não sabiam o que fazer. Criaram jangadas pra irem até o fim do mundo tentar matar o devorador de mundos, mas as flechas e zarabatanas não o alcançavam. Fizeram uma assembléia e finalmente tiveram uma boa idéia.
Pediram ao condor que pedisse ajuda ao deus-que-movimenta-as-coisas. Esse deus era o responsável por movimentar os rios, os ventos, o sangue. Ele se sensibilizou com aquelas criaturinhas daquele planetinha tão insignificante e bonitinho e os ajudou. Pegou os dias e o colocou num círculo. Assim, sempre que o devorador estivesse prestes a abocanhar o planetinha azul, os dias recomeçariam e ele ficaria distante novamente. Assim surgiram os anos. E é por isso que deveriam celebrar e agradecer ao deus-que-movimenta-as-coisas.
Essa era a história que era contada para as meninas. A dos meninos era totalmente diferente, envolvia batalhas e mortes heróicas. Mas essa era história deles, não nos interessa.
Feliz 2007 para todos vocês! Que não sejamos devorados e possamos contar sempre com a bondade do deus-que-movimenta-as-coisas!
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Idéia para uma história - 1
Escute:
No princípio criou Deus o céu e a terra. Depois Deus disse "que haja luz"; e houve luz. Em seguida separou a luz da escuridão, criando o dia e a noite. Separou as águas, criando os mares e a terra. Criou o sol e as estrelas e por fim criou vida. Primeiro a vegetal, depois a animal e por fim um ser criado a sua imagem e semelhança: o homem. A esse homem Deus deu o nome Adão.
Essa história todos conhecem. O que alguns não sabem é que uma das funções de Adão - além de servir de parte de Eva, crescer e multiplicar - era nomear os animais. Adão caminhava pelo Jardim do Éden, via um bicho meio amarelo, com pescoço comprido e dizia "seu nome é girafa" e seu nome era girafa. Foi assim com o pato, cachorro, gato, carcaju, lhama, avestruz e ornitorrinco. Esse uma prova do senso de humor não só dele como de Deus.
O que muitas pessoas não sabem é que o primeiro homem não deu nome apenas os animais. Nem apenas as plantas ou os minerais. Adão nomeou tudo. Absolutamente tudo que existiu, existe e existirá foi nomeado por Adão. Inclusive você e eu. Computador, geladeira, enfisema, MP3, psicanálise, All Star, bomba nuclear, granizo, microondas. Todos batizados por Adão. Quando um inventor nomeia seu invento, quando uma mãe escolhe o nome de seu filho ou mesmo quando um astrônomo batiza um novo corpo celeste, estão apenas repetindo as palavras ditas por Adão incontáveis anos atrás. Todos os nomes são de Adão, mesmo o de objetos, sentimentos e lugares que ele nem sabia que um dia existiriam.
O que quase ninguém sabe é que um dia ele errou. Muitos não se importam. Pensam, é só um nome. Não sabem a importância que os nomes têm. Não percebem que no nome está também a definição do objeto. Está o que ele é e para o que ele serve. "O que chamamos rosa, com outro nome não teria igual perfume?", perguntou Julieta. Não, não teria igual, respondo eu. Uma rosa tem o perfume de uma rosa por se chamar rosa. O nome é a essência. Adão sabia disso. Por isso escolheu o nome certo para todas as coisas que existem e que vão existir no mundo. Mas um dia ele errou. Talvez por estar cansado, talvez por já estar pensando em provar do fruto da árvore do bem e do mal ou talvez por achar aquilo tão pequeno e sem importância.
(Ta, como diabos eu continuo isso?!)
quarta-feira, outubro 04, 2006
segunda-feira, outubro 02, 2006
Elucubração
Estou no meu quarto. Ele é escuro demais.
Até que ponto eu sou real ou um construto de ficções? Minhas dores e delicias são verdadeiras ou são apenas o que eu acho que deveriam ser porque a ficção me disse assim?
Chove. O céu é cinza e as árvores verdes. Da minha casa eu vejo árvores, casas, prédios e favelas. Eu gosto da chuva. Gosto do cheiro de terra molhada que ela traz. Talvez recordações de algo que eu nem vivi. Um tempo simples e tranqüilo no campo. Por que a lembrança do campo, da fazenda, do passado rural, do passado pré-urbano que não vivemos nos traz essa idéia de paz?
Eu olho pra chuva. Eu queria sentir o gosto dela. Queria me molhar nela. Mas eu queria isso? Ou é só a memória residual de um filme que eu vi? Sou me lembrando de Um Sonho de Liberdade e associando automaticamente um banho de chuva a estar livre?
I'm sad. E eu gosto de estar triste e gosto de escrever "i'm sad" porque talvez isso me aproxime do meu imaginário, as figuras heróicas e trágicas dos romances. Será tão simples? É só isso o que eu sou? Quem sou eu de verdade? Quais são meus sonhos e aspirações reais? Eu me perdi na fantasia?
Eu sofro por amores que não existem. Construo redes imaginárias e olho pra chuva. Chove lá fora (não... aqui não faz tanto frio).
Eu preciso beber algo. Água. Eu odeio água. Eu odeio posts pessoais e sem sentido. Eu tinha me prometido nunca escrever algo assim. Mas não importa. Agora escrevi. Não, não precisa ler. Clica no x ali em cima, fecha essa janela e e esqueça-se pra sempre que você entrou aqui.
Vou olhar a chuva.
E torcer para ela nunca parar.